Uma eternidade sem Ruth Cardoso !
Opinião do Raul 5 comentários »
Fechamos a semana com uma missa em memória de Ruth Cardoso, neste sábado, às 10 horas, na Capela do Colégio Sion, em São Paulo. Faz um ano que ela nos deixou com uma herança consagrada parcialmente pelo governo Lula, o programa Bolsa Família, uma das principais ações da rede de proteção social criada por Fernando Henrique Cardoso e que perdeu a idéia essencial da contrapartida e da distribuição de oportunidades. Quando a doutora Ruth Cardoso desenhou a versão nacional do Programa de Garantia de Renda Mínima, a Bolsa Escola Federal e os primeiros movimentos para a unificação da Bolsa Alimentação, Vale Gás e Peti – Erradicação do Trabalho Infantil, o caráter emancipatório dessa iniciativa vislumbrava uma Nação mais solidária e menos desigual no futuro.
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Faz dois anos e o senador Renan Calheiros enfrentava a opinião pública, por uma série de atos sobre a sua conduta pessoal e política, que contou com a complacência dos seus colegas senadores, que o absolveram, livrando-o da cassação. A história se repete, com José Sarney, desta vez com um tsunami de denúncias graves a chafurdar na lama até o mínimo de respeito que se deve ter com o Senado Federal. Lula reagiu em defesa do ex-presidente da República, cobrando respeito à biografia incomum de Sarney, porque a "descrença nos políticos é ruim para a democracia". E o gaúcho Pedro Simon pediu a sua renúncia, para diminuir a sua própria depressão e garantir "o direito que Sarney tem de respirar tranquilo". Farei o caminho contrário deles, acho que Sarney deve ficar no cargo até o fim da capacidade do Senado apurar, julgar, condenar e corrigir definitivamente todas as mazelas que envolvem uma instituição que renovará dois terços de seus membros em 2010.
Definitivamente o presidente Lula superou todos os índices de demagogia vistos na história do Brasil. Do ponto de vista político-eleitoral, com feeling próprio e sustentado em pesquisas de opinião pública, ele toca no coração do povo ao defender a entrega de mais dinheiro para os pobres e impostos altos para quem produz e gera empregos. Na cabeça geral, ao ouvir do presidente sobre a sua preocupação com o aumento de comida em suas casas, razão que aprova os efeitos do Bolsa Família, cada vez mais generalizado de beneficiados, chega a ser surpreendente a reação tímida do empresariado e da classe política. Aliás, o quê esperar de uma classe política anestesiada por tantos escândalos no Congresso Nacional, que o próprio Lula diz que não vai dar em nada ?
O jornalismo não ficará melhor com o fim da exigência do diploma de formação para os jornalistas. Curiosamente, no dia em que o Supremo Tribunal Federal tomou a decisão por 8 votos a 1, contra os jornalistas diplomados, o noticiário político divulgava que o presidente da República, Lula da Silva, que se orgulha de ocupar o cargo mais importante do Brasil sem ter o diploma do ensino fundamental, terá uma coluna semanal em jornais de todo o país a partir do mês de julho. Acho um equívoco a comemoração de algumas empresas de comunicação e de colegas de jornalismo, diplomados ou não, que tentam comparar a cassação do diploma, com o fim recente da Lei de Imprensa, e porque confundem livre exercício da profissão com liberdade de expressão.
O senador José Sarney (PMDB-AP) protagonizou uma cena patética em sua própria defesa, ao falar sobre os escândalos que atingem o Senado desde que assumiu a presidência da instituição. Todo mundo que viu e ouviu as suas declarações em todas as mídias reagiu com indignação, principalmente porque ele despejou argumentos risíveis com a justificativa de que está no cargo há quatro meses e que não lhe cabe responsabilidade sobre os últimos acontecimentos. De tão debochado, ao afirmar que a crise do Senado não é dele, mas do próprio Senado, José Sarney, na prática, agiu sem dar qualquer importância à opinião pública, até porque o presidente Lula saiu em sua defesa, endossando o seu reconhecimento da impunidade no Brasil: essas denúncias "não têm fim e depois não acontece nada".
Nunca antes na história deste país, a comunicação foi tão abusada, principalmente no governo Lula e pelos petistas de plantão, nos seus governos e mandatos no Congresso Nacional. Detentores de informações privilegiadas e por isso com uma percepção aguda de notícias ruíns para o conjunto do lulopetismo, sobra tempo para agir preventivamente e sacar factóides. Ontem, na hora em que o IBGE divulgava, pelo segundo trimestre consecutivo, a queda do PIB – Produto Interno Bruto, com sinais concretos de recessão no país, uma overdose: Lula "entrava para a história emprestando dinheiro ao FMI" (US$ 10 bilhões), anunciava a taxa básica de juros de 1 dígito (9,25%), prorrogava de novo a isenção do IPI na compra de veículos e liberava dinheiro devido da contrapartida federal às obras do Rodoanel de São Paulo (R$ 300 milhões). Isto é, pura política de comunicação esperta, oportunista e eficiente.
O PSDB revive um velho dilema: cobrado insistentemente pela fraqueza da sua comunicação, que é possível reestruturar a toque de caixa, a exemplo de outras legendas na atual conjuntura política, ainda não sabe qual mensagem o partido deseja passar para a sociedade brasileira. Ainda bem que essa deficiência é cíclica e pode se modificar com mais direção e unidade dos seus quadros. Mas, em que pese atualmente as projeções individuais dos governadores José Serra e Aécio Neves, para a presidência, e Geraldo Alckmin para o governo paulista, há uma pergunta que deve preocupar os seus principais estrategistas partidários: "O PSDB, o DEM e o PPS, por exemplo, falam em nome de quem hoje ?"
O jornal ‘O Estado de São Paulo’ descreveu o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), como um ser "egocêntrico e desprovido de senso de medida", no editorial intitulado ‘Um estorvo para o meio ambiente’ (4/6/2009). Quando ele foi convidado para substituir a senadora Marina Silva, que formava uma linha dura contra as obras do PAC – dependentes de autorizações ambientais e os desmatamentos na Amazônia por pecuaristas, Minc assumiu com a fama de gestor eficiente e mais produtivo. No entanto, com o seu jeito espalhafatoso de ser, que não mede palavras para aparecer na mídia e atacar ruralistas e colegas do ministério lulopetista, como Marina fazia discretamente, ele se exibe de tal forma que está virando motivo de chacota em todas as esquinas. Justamente quando precisaria de mais respaldo para combater os desmatamentos e garantir o apoio do Congresso Nacional para mudar a lei de licenciamentos ambientais.
Paulo Renato Souza, quando ministro da Educação no governo FHC, foi o responsável pela avaliação dos livros escolares e também pela chegada dos exemplares aos estudantes antes do início das aulas. Parecem atitudes óbvias, de tão essenciais, mas isso não acontecia no Brasil. Paulo Renato conduziu também inúmeras reformas na Educação, a partir da sua gestão no ministério. FHC chamava esse trabalho de "revolução silenciosa" e o seu ministro, que fora secretário do mesmo setor durante o governo Montoro, nos anos 80, retornou à pasta na equipe do governador José Serra. Curiosamente, há pouco mais de um mês na secretaria de Estado, pronto para realizar o seu plano de trabalho, decidido pelo desafio de melhorar a qualidade da Educação, pipocam notícias sobre falhas praticadas pelo governo estadual na escolha dos 818 títulos de livros didáticos, de 80 diferentes editoras, distribuídos para a rede estadual de ensino. Não tenho receio de afirmar que esse fato cheira a sabotagem.







