Quem paga a conta das campanhas políticas ?
Corrupção, Democracia, Eleições, Governos, Notícias, Opinião do Raul, Política 21 de fevereiro de 2010 - 17:19
O regime democrático é o melhor e prevê a participação de todos na escolha dos seus representantes e na realização dos seus projetos. Mas esse processo de escolha, que acontece por meio de eleições, tem custo político, moral e financeiro. Um exercício que exige regras claras e bem definidas, para que todos tenham igualdadade de condições diante de uma disputa, mas que no Brasil são sempre duras e estimulam atitudes nada republicanas de alguns para o seu cumprimento. Essa constatação óbvia vem servindo para afastar a sociedade dos mecanismos de pressão para mudar e acompanhar as mudanças, justamente porque sobra a impressão de que todo político não presta e dele tudo de mal pode se esperar. Nos últimos tempos uma avalanche de denúncias sobre desvios de dinheiro que seriam destinados as campanhas eleitorais acentua ainda mais a desconfiança no sistema e o fosso entre os níveis de informação do cidadão e a verdade sobre quem realmente está pagando essa conta.
Preocupa a banalização dos desmandos políticos e administrativos, os flagrantes de corrupção em várias esferas de governos e partidos, mensalões, dossiês forjados, bem como a sua contraposição a impunidade, apesar das evidências e comprovações. Por isso é que vejo com muito bons olhos a chegada do projeto de lei de iniciativa popular (PLP 518/09), conhecido como “ficha limpa”, que pode impedir que os “fichas sujas” sejam candidatos nas próximas eleições.
Desde setembro do ano passado no Congresso, articulada pelo Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE), essa proposta foi subscrita por 1,5 milhão de assinaturas, mas obteve o apoio imediato de apenas 22 dos 513 deputados. Quando o tema é divulgado em todas as mídias gera uma sensação de mobilização política para os cidadãos, porém longe da transparência desejada no quesito financiamento das campanhas. Esse, a meu ver, o tema do momento, principalmente por causa dos custos projetados por alguns especialistas de marketing e produção de materiais eleitorais. Todo mundo sabe a diferença existente entre os volumes materiais da propaganda eleitoral e os resultados focalizados.
Os exemplos pedagógicos de punição a políticos de oposição ao atual governo federal do PT despertam para a oportunidade desse debate. Quando o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM) conheceu pela imprensa a decisão do juíz da 1.ª Zona Eleitoral da Capital, de sentenciá-lo com a cassação do mandato de prefeito por causa do recebimento de doações supostamente ilegais nas eleições de 2008, a primeira interpretação foi considerar a existência de dois pesos e duas medidas no julgamento exposto. Afinal, parece estranho que os magistrados definam punições e absolvições com base num limite aleatório para recebimento de arrecadações consideradas ilegais.
O comitê financeiro da campanha de Kassab declarou na sua prestação de contas, doações feitas pela Associação Imobiliária Brasileira, de sete construtoras e do Banco Itaú, instituições que mantém algum tipo de relação com concessionárias de serviços públicos ou diretamente com a prefeitura paulistana, que somavam valores superiores a 20% do valor total recebido nas eleições, mas que na visão do juiz não poderiam ultrapassar esse “teto”. Isso mesmo, “teto”!
Ora, se os prestadores de serviços, contratados e concessionárias do poder público estão impedidos de contribuir com as campanhas eleitorais, não será o momento de retomar a questão do financiamento público das mesmas ? Hoje esse financiamento acontece em parte, com os repasses de verbas do fundo partidário as legendas políticas e através do dito “horário eleitoral gratuito” nas emissoras de rádio e TV que, como é do conhecimento geral, são concessões públicas. A função pedagógica dessa decisão judicial é importante porque reabre a discussão sobre o sistema vigente de financiamento das campanhas, justamente porque há julgamentos parecidos em outros pleitos, com resultados diferentes.
Não posso deixar de dizer que, pela forma como o assunto foi trazido a opinião pública, cheira a ação eleitoreira, para comprometer um dos mais destacados líderes da oposição ao poder central. Assim, uma luz amarela, a caminho da vermelha, acendeu no meio do caminho. E não se ouve um pio de parlamentares de todas as origens partidárias, porque é evidente a delicadeza do tema, num ano eleitoral, que pode afetar ainda mais a confiança e a disposição daqueles que ajudam a pagar a conta das campanhas políticas.
O modo atual de financiamento contribui bastante para a dúvida de financiadores, financiados e da própria sociedade, em razão da falta de transparência com que alguns políticos captam recursos, interesses envolvidos, hipocrisia etc. O tema está pautado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tende a inovar com a possibilidade de doações em massa pela Internet, bem como com a possível restrição das chamadas “doações ocultas”, feitas aos partidos e sem a especificação dos candidatos a quem elas se destinam.
Retomo a reflexão sobre a democracia, um dos maiores patrimônios da sociedade brasileira pós 25 anos de governos impostos, nomeados e autoritários. Já disse antes que ela tem custos como em qualquer lugar do mundo, mas que esses custos precisam ser transparentes e conhecidos, assim como os verdadeiros objetivos dos cidadãos que se propõem a disputa de uma vaga no cenário de uma Nação forte e ainda em construção. Nesse início de debate sobre tema tão crucial, do financiamento da política eleitoral brasileira, uma posição clara e verdadeira vai fazer bem. Não hesitaria provocar que os possíveis candidatos assinassem uma carta de princípios comprometida com uma Reforma Política!
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21 fev 2010 as 17:58
Raul, trataste do assunto com o brilhantismo que lhe é tão peculiar.
Tomo a liberdade de relembrar aqui parte do discurso de Franco Montoro(Câmara dos Deputados, 1996), sobre a Reforma Política ampla e irrestrita. Dentre outros pontos, assim ele nos ensinou:
Reformas políticas –
“A primeira é a descentralização federativa, com progressivo fortalecimento do poder local. Governo mais perto do povo.
Segundo, a reforma eleitoral, com a adoção do voto distrital misto, em qualquer modalidade que vincule o deputado a população que o elegeu.
E, terceiro, a modernização do sistema de governo, com a discussão e aprovação do parlamentarismo, como diz expressamente o programa do PSDB.”
Quanto as modalidades criminosas de arrecadação de recursos para campanhas políticas, em 2005 o Brasil acompanhou a crise que se instalou tanto no Congresso Nacional quanto na Presidência da República e o Judiciário, até o momento, não deu a resposta que o povo (sim, o povo!) tanto esperava.
Portanto, acredito que o momento está para irmos mais longe que uma simples reforma eleitoral para solucionar a questão de quem paga a conta das campanhas políticas.
Um grande abraço,
Felipe A. Gomes
21 fev 2010 as 19:20
No Anacoluto, recebemos quase todos os dias, denuncias contra o governo Lula, e suas falcatruas…. Agora, vem coisas de um maraja, um cara que ficou rico, as custas do PT e das maracutaias do governo.
No resumo, minha opinião, Raul, é quie nos, que passamos pela Ditadura, que lutamos contra ela, fazendo cultura maginal, e os cambau a quatro, perdemos nosso tempo,defendendo uma coisa, que so na teoria, esta no poder: Democracia de fachada, é o que temos, pois no fundo os politicos brasileiros, por falta de opção, por falta de uma penca de coisas, deixarm o PT assumir o poder, e deram a ele, a faca e o queijo, para mamar nas tetas do governo, por anos e anos….
A culpa, desta verdadeira palhaçada, que é um presidente quie fala errado, e age errado, de umm partido sem moral para frequentar minha casa, é da politica que corre este pais, de ponta a ponta, e que cruza os braços, diante das falcatruas de um governo minado por forças estranhas a democracia que lutamos para conquistar!
Esta é a minha opionião, e voce me conhece bem, para saber que sustento o que falo e escrevo!!!!
21 fev 2010 as 20:18
Para mim, campanha política não serve para nada. Apenas leio jornais/revistas/internet. é o suficiente. Nenhuma campanha vai mudar meu voto consciente.
21 fev 2010 as 23:20
Política é feita por “profissionais” e o cidadão não se reconhece nesse conceito espaço, não participa, se afasta do poder e perde a noção de política. E assim o regime democrático é inexistente, não há exigência da sociedade para mudanças. Quem paga a conta das campanhas políticas? Ninguém, pois o candidato deveria se utilizar tão e somente do espaço reservado a propaganda eleitoral gratuita.
22 fev 2010 as 08:47
Raul, você toca na ferida, aponta o “olho do furacão” na sempre urgente discussão sobre o financiamento das campanhas eleitorais.
Mas, a quem interessa discutir amplamente, trazendo a verdade e transparência a público ?
A quem interessa julgamento severo e punições exemplares aqueles que após eleitos se apoderam dos recursos públicos de forma irresponsável e até criminosa ?
A quem interessa acabar com a hipocrisia, mentiras e impunidade daqueles políticos que protagonizaram os Mensalões e a farsa burlesca “Sarney no Senado,Salve, Salve !!!”
A quem interesssa mudança nos paradigmas, nas atitudes, ações e planejamentdo poderes públicos
22 fev 2010 as 08:48
Com certeza quem paga não é o candidato.
Na questão em tela, tudo se resume “a mala”. Ah! A “mala”!
A “mala” vem de quem tem interesse na eleição, para obter vantagens indevidas assim que o “seu” candidato for eleito. O pobre não doa. Quem efetua as doações são os mega empresários, as construtoras, os parques industriais, etc. Mandam neste país, pois num primeiro momento doam, mas a fatura vem com os contratos e demais vantagens. posteriores.
Na realidade a maioria das “doações” são na verdade INVESTIMENTOS, com altos lucros futuros e com retorno de curtíssimo prazo. Os políticos por sua vez (uma boa parte), fica portanto “de rabo preso”, perdem sua autonomia e se vêem “presos” aqueles que efetuaram valores vultuosos para a sua campanha.
Prova disto é dada no seu próprio artigo. Sobre o caso do projeto das “mãos sujas” somente 22 dos 513 que compõem o Congresso assinaram. O motivo é simples, muitos possuem a FICHA SUJA e não vão aprovar algo que irá prejudicar seus interesses, que no caso são suas próprias candidaturas futuras. Ninguém está preocupado em ser um anseio e vontade oriunda diretamente do POVO.
Como digo sempre: Viva a CORRUPÇÃO! Os mandatários do nosso Brasil, numa boa parcela, são os que mais se locupletam com a manutenção e ampliação deste mal social. E o povo, sem senso crítico, vítima dos projetos assistencialistas, fica com as “migalhas” que sobram deste verdadeiro ESQUEMA existente na política brasileira.
Acorda Povo Brasileiro!!!
Ernesto Donizete da Silva
PSDB/SANTOS
22 fev 2010 as 09:52
Raul, você toca na ferida, aponta o “olho do furacão” na sempre urgente discussão sobre o financiamento das campanhas eleitorais.
Mas, a quem interessa discutir amplamente, trazendo a verdade e transparência a público ?
A quem interessa julgamento severo e punições exemplares aqueles que após eleitos se apoderam dos recursos públicos de forma irresponsável e até criminosa, para “honrarem” comprissos de Campanha ?
A quem interessa acabar com a hipocrisia, mentiras e a impunidade daqueles políticos que protagonizaram os Mensalões e a farsa burlesca “Sarney no Senado, Salve, Salve !!!” ?
A quem interesssa mudança nos paradigmas, nas atitudes, nas posturas públicas, nas ações dos nossos políticos?
O que sei, é que hoje é cada vez maior entre as pessoas, a percepção da urgência das transformações que o mundo e a realidade estão a exigir da classe política.
O que sei é que existem muitas pessoas empenhadas na ampliação desta consciência cidadã e no melhor exercício daquilo que é público.
E sei principalmente que você Raul, tem sido uma pessoa “farol” nestes 30 anos que acompanho a sua trajetória e tenho visto coerência entre ação e princípios, companheirismo, generosidade e paciência na vida partidária, além nobreza com todos sempre.
2010 já está agitando bastante a agenda política do país, com baixarias pra todo lado e agora todos se manifestam, tribunais, advogados, partidos, e enfim… a miscelânea das mídias no período pré-eleitoral.
Acho que o imobilismo não é a melhor altenativa em nossos dias, precisamos insistir na conquista de nossas utopias, por nós e por todas as nossas gerações.
Seu blog Raul é um grande estímulo ao bom debate, a exposição sempre objetiva de suas posições e crenças, e ao restabelecimento de verdades nem sempre confortáveis para alguns, mas essenciais para muitos.
Abraços
Heliana
22 fev 2010 as 10:43
não sei se é sabido ou desconhecido, mas em se interropendo uma democracia por um regime de justiça sumária e/ou ditatorial não finda a corrupção, apenas se deixa de falar nela, por medo ou censura, os regimes não eleitos são tão ou mais corruptos do que os eleitos, o que os olhos não vêem pode cortar até o osso.
22 fev 2010 as 17:58
Raul
Essa não é uma bandeira para um só carregar, mas alguém tem que começar e fico contente que esse alguem seje você, e que com o meu voto espero estar ajudando para com isso ter mais um parlamentar no Congresso defendendo de fato os direitos de quem de direito ( o povo ).
22 fev 2010 as 18:36
Quem paga todas as contas são os sócios do patrimônio publico todos nos pagamos pelos erros, e pelos gastos que elegem os políticos.
A mamata e tanto que nunca vão querer reformar política nem por iniciativa própria, mas esta surgindo o terceiro movimento, que e acima de tudo que já surgiu vindo na mesma velocidade da tecnologia.
Assim como o fim do voto obrigatório já devia ter sido extinto há muito tempo, pelo vota se quiser ou se os candidatos convencer ai sim começa a verdadeira mudança enxuta na política pela dinâmica de conhecimento real e nem virtual ou tipo ficção.
Que virou essa pirâmide que esta desmoronando sem ser percebido ate o dia do tombo final que vai dês – canalizar a renda concentrada
Que começou nos tempos da pedra de Adão e Eva passando por D. Pedro ate agora sem conserto começando o travando pela internet que vai por fim aos sistemas existentes por novos competitivos
04 mar 2010 as 19:09
Como sempe Raul nos traz componentes polemicos e de reflexão, formando e sendo formado opiniões narrativas.
Poderia adentrar no tema democratico, partidario e outros pormenores não citados que compromentem a democracia com seu pleito igualitario. Mas como claro foi sua explanação me aterei ao tema do recurso da campanha desde a partidaria até a doativa.
Lembro-me de quando o governo “controlava” minhas movimentações atraves da CPMF, de onde vinha até onde ia o leão mordia sua parte, tudo resgistrado e passivel de conferencia por profissionais da area. Tendo o STE recursos , assim como os partidarioos destinados a campanha eleitoral, este não vincularia a conferencia?
Como não existe limite entre os gastos nem a que representam, entre os candidatos e partidos, muito menos ao regional sufragio, ficamos assim quem tem a maquina , quem tem recurso e que tem apoioi da legenda, tem o povão….LU.