Recebi de Renata Covas Lopes, cópia de uma crônica de Sílvio Lancellotti, sobre um jovem sensível ao extremo, militante do otimismo, das melhores práticas da vida – Frederico Marcondes de Carvalho, o Fred, que tive o imenso prazer de conhecer em 2004, quando ao lado do atual deputado estadual Bruno Covas disputei o cargo de prefeito de Santos. Fred estudava jornalismo, dedicava uma parte do seu dia ao atendimento no consultório médico da família e fazia parte do parecido "exército de Brancaleone" que nos acompanhava na campanha santista irradiando otimismo. O texto de Sílvio Lancellotti, publicado na Revista da Folha dia 10 de janeiro, tocou fundo e me fez mergulhar nas origens de uma amizade e companheirismo que tenho orgulho de comemorar cinco anos.

Na comunidade criada no Orkut - http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=1828113 - "Frederico – O Jornalista" registrei em 14 de abril de 2005 o momento certo do nosso primeiro contato. Para cumprir pauta do jornal laboratório da Faculdade de Comunicação da Universidade Santa Cecília – Unisanta – Fred falou comigo por telefone para uma entrevista sobre política, educação, o PSDB e o seu ídolo Fernando Henrique Cardoso. Instigante na sua função de repórter, exigindo respostas do tipo que decidem debates eleitorais, pouco tempo depois percebi que fui convincente a tal ponto que consegui sensibilizá-lo para a campanha e dela para conquistar a admiração de tantos outros amigos, colegas de profissão, gente sensível como Sílvio Lancellotti, nesse admirável depoimento:

Um tipo inesquecível

Por Sílvio Lancellotti

Criada em 1922, a revista "Seleções do Reader’s Digest", até hoje publicada em mais de 70 países, ostenta uma rubrica que sempre me fascinou: "O Meu Tipo Inesquecível". Pessoas várias enviam textos a respeito de outras que, de alguma forma, encantaram os seus destinos. Neste começo de 2010 eu utilizo este "Quintal Paulistano" (seção da Revista da Folha) a fim de eleger meu tipo inesquecível no ano que acabou.

Trata-se de Frederico Marcondes de Carvalho, nascido em Santos, em março de 1981, um produtor do "Pontapé Inicial", o programa matinal do qual, eventualmente, participo no canal ESPN Brasil. Filho de um neurologista e de uma enfermeira, por incrível que pareça, Frederico padeceu no parto. O cordão umbilical se enrolou no seu pescoço e praticamente o enforcou. Por falta do oxigênio crucial, se tornou um deficiente físico, na sua mobilidade e na sua fala.

Deficiente? Absolutamente, não. À parte o fato de ele torcer para o "Peixe", em que fulgurou um certo Pelé, que Frederico jamais viu jogar ao vivo e em cores. Um absurdo de inteligência e de criatividade, ele aprendeu, nas suas palavras, "a aceitar o fato de ser diferente". Completou, em escolas convencionais, o curso colegial. E se diplomou em jornalismo.

Na faculdade, mesmo com todas as dificuldades de dicção, conduziu um programa de rádio no qual alinhavou entrevistas inesquecíveis com Mário Soares, líder político de Portugal, com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com Chico Buarque.

O esforço e o sucesso cativaram José Trajano, diretor da ESPN, que lhe abriu um espaço, em 2004. Apaixonado por música, dono de uma vasta coleção de CDs de todos os estilos, da MPB ao fado, do jazz ao tango, ele é hoje responsável pela trilha sonora que escolta o "Pontapé".

Do chefe, recebe broncas, quando escorrega, como qualquer funcionário da emissora. Invariavelmente, porém, responde com um bom humor cativante.

Emociona testemunhar o seu esforço e a sua competência. E saber que Frederico, atualmente, faz aulas de teclado e de canto. Que Frederico, apesar das dificuldades na fala e na mobilidade, é um jovem feliz. Eu o admiro. Aqui, peço que ele enquadre e dependure este "Quintal" na parede do seu quarto.

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