O anúncio da desistência da pré-candidatura a Presidência da República, pelo governador Aécio Neves (PSDB-MG), não precipita nada na estratégia do partido em relação à definição do seu nome para 2010. Neste domingo o Instituto Datafolha revelou novos números de pesquisa realizada após o programa de televisão do PT, que "atormentou" até alguns tucanos pela eficiência da comunicação dos lulopetistas, mas reforçou a liderança do nome do governador José Serra, com 37% (14% na frente de Dilma Rousseff). Esse resultado pareceu óbvio para todos, porém o destino de Aécio no processo eleitoral do ano que vem está gerando todo tipo de comentário, principalmente de quem torce pela divisão do PSDB e por uma suposta oposição de Minas Gerais a uma candidatura tucana que não seja de lá.

Já escrevi que entendo as razões do governador José Serra em não colocar o bloco na rua antes do tempo. No comando de São Paulo ele considera que há ainda muitas urgências administrativas que ele deseja consolidar como titular do cargo de governador. Acompanho a sua desenvoltura como testemunha das ações de governo, tanto como membro da sua equipe, quanto como dirigente do partido na comissão executiva estadual, atualmente empenhado na identificação e formação de chapas de candidatos a deputados estaduais e federais em todo Estado.

Por outro lado, essa "indefinição" do PSDB perturba mais os seus adversários que o próprio partido, porque o seu arco de alianças partidárias para 2010 está definido com muita antecedência e não é motivo de dúvida para quem analisa o cenário político nacional. Com o PSDB seguirão DEM, PPS e boa parcela do PMDB, apesar da influência exercida pelo presidente Lula em seus quadros mais autênticos (sic) José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá etc.

Como fundador e militante do PSDB lamento que as instâncias de participação de todos os seus filiados no processo decisório ainda são limitadas. Nunca alimentei qualquer expectativa de que a escolha do presidenciável tucano para as próximas eleições acontecesse por meio de prévias ou primárias internas ou ampliadas. Luto por isso internamente, mas ainda há um longo caminho até obter esse amadurecimento e a consolidação da democracia interna, que conseguimos incluir no primeiro esboço dos seus estatutos e ainda não aconteceu. Mesmo assim, o PSDB nasceu como um partido de quadros e para as disputas de cargos majoritários sempre observou o entendimento entre os seus líderes maiores, como Franco Montoro, Fernando Henrique, Mário Covas, José Richa, Pimenta da Veiga, Tasso Jereissatti, José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin.

O candidato da vez é José Serra e não tenho dúvidas de que ele anunciará a sua disposição antes da Convenção Nacional no mês de junho. As pesquisas reconhecem essa condição e o governador Aécio Neves apenas convergiu, com o seu anúncio de servir ao seu Estado e ao país transferindo a sua chama política para outra direção. Ele tem o tempo que quiser para decidir, sem a aflição que acomete a imprensa e o lulopetismo, sobre as definições do PSDB.

Também não será a militância tucana que irá decidir o futuro de Aécio, bem como o seu próximo desafio partidário. Acho que há urgências maiores que o anúncio de Serra e de Aécio para 2010, como por exemplo a possível candidatura de Tasso ao governo do Ceará, Firmino Filho no Piauí, Álvaro Dias ou Beto Richa no Paraná, Luiz Paulo Velloso Lucas no Espírito Santos, Yeda Crusius no Rio Grande do Sul. Esses palanques são fundamentais para a campanha do PSDB no ano que vem, justamente porque servirão para ascender novas lideranças tucanas para o futuro próximo.

Agora, se você quer saber mesmo a minha opinião sobre a melhor chapa para liderar a aliança PSDB, DEM, PPS e boa parte do PMDB, não hesito dizer que ficarei muito feliz em votar José Serra Presidente, Aécio Neves Vice-Presidente, que representam de fato a unidade pelo Brasil!

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