Cobrar a transparência dos investimentos previstos para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, não é um argumento para diminuir o papel do Brasil, como disse o presidente Lula. Muito menos uma reação dos opositores ao sucesso dessa conquista histórica, que pertence a todos nós. Lula e o PT, que sempre foram acostumados a vaiar até o hino nacional em solenidades de governos que não faziam parte, chegam a pensar que somos iguais a eles e que num momento como esse nos consumiríamos como "invejosos" e "apostadores do quanto pior melhor".

Da mesma forma que o Brasil foi espetacular na apresentação técnica da candidatura do Rio e que o presidente Lula foi impecável em sua defesa treinada e contida, chegou a hora do país também oferecer um exemplo educativo desde o início dos trabalhos necessários para que a Cidade Maravilhosa esteja pronta para sediar os Jogos, sem a mínima suspeita de corrupção.

O governador José Serra escreveu que a tarefa não será trivial: "Exigirá formar um comitê organizador ampliado e de grande competência e recorrer ao que existe de melhor em matéria de planejamento urbano, no Brasil e no mundo. Fazer projetos sensatos, longe da megalomania, do desperdício e dos sobrepreços." E em relação aos recursos, que o governo Lula está "garantindo" que não faltarão para as Olimpíadas, Serra sugere a formação de um fundo baseado em nossas exportações de petróleo, em especial do pré-sal, se até lá já for extraído: "Esse fundo temporário seria constituído em moeda estrangeira, para financiar despesas realizadas nessa moeda. É uma idéia a ser discutida para além de interesses partidários, eleitorais ou regionalistas".

Muitos analistas comentaram que os Jogos Olímpicos são um compromisso internacional irrevogável. A partir de agora os esforços para que dêem certo não pertencem unicamente ao Rio de Janeiro, porque esse evento mobilizará o Brasil inteiro na formação de novos atletas, para torná-lo competitivo e, quem sabe, num horizonte de 10 anos, transformá-lo numa verdadeira potência olímpica. Jamais podemos esquecer que o esporte é também um dos fatores essenciais para a inclusão social e manutenção de crianças e adolescentes nas escolas.

Esse processo, a meu ver, deve multiplicar os esforços pela educação, pois quase a totalidade dos novos atletas sairá das escolas brasileiras. Mais do que nunca, as escolas vão precisar de motivação e apoio dos governos em todas as esferas e Estados, para formar uma grande rede pelo esporte e com solidariedade. Aliás, esse objetivo reforça a necessidade de emprestarmos aquele mesmo conceito mobilizador de Obama nas eleições americanas: "Sim, nós podemos!"

Num momento como esse é importante refletir sobre a descontinuidade de políticas públicas bem sucedidas, como o Programa Esporte Solidário, criado durante o governo FHC. Naquela ocasião, o presidente da República determinou o cumprimento do artigo 217 da Constituição Federal, que dispõe o dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um. Assim, país afora, o ministério dos Esportes passou a executar ações para melhorar a infra-estrutura e os equipamentos para a prática esportiva, incentivando a construção de ginásios e quadras poliesportivas em áreas carentes, bem como nas escolas públicas em parceria com o MEC – Ministério da Educação.

Por isso reafirmo que as Olimpíadas no Rio demandas ações em todo o território nacional, não se restringindo à infra-estrutura da própria Cidade-Sede dos jogos. Mas não vamos deixar que esse acontecimento, nunca antes realizado na história da América do Sul, se apequene como na exposta incompetência do atual governo em executar o seu PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, de obras, com tantos contratos e execuções irregulares, segundo relatórios do TCU – Tribunal de Contas da União, que já desaprovou condutas à época dos Jogos Panamericanos.

Sim, nós podemos preservar a imagem do país, planejando todas as etapas executivas para as Olimpíadas, para evitar aditamentos de contratos, revisões orçamentárias, verbas extraordinárias e emergenciais, superfaturamentos, desperdícios, furtos, corrupção. A felicidade geral da Nação tem um preço que não se paga assim !

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