Prometi para mim mesmo que ignoraria a "remissão dos pecados" de José Sarney pelo Senado, porque tudo foi dito de todas as formas possíveis, escancarando os piores exemplos do jeito de fazer política sob os auspícios do presidente Lula. Também não tive um pingo de dó da humilhação nacional do senador Aloysio Mercadante (PT-SP), que tomou um passa-moleque porque achava possível fincar os pés em duas canoas – da cumplicidade com os interesses do lulopetismo e de ficar de bem com a torcida pela dignidade. Noutro lugar do mundo, a vergonha levaria um político digno à renúncia irrevogável do mandato. Mas o oportunismo de Eduardo Suplicy, ontem à tarde, no meio de uma ode de Sarney a Euclides da Cunha, reavivou a justificativa para este comentário.

São Paulo vai mal das pernas no Senado. E como este Estado sempre orientou de maneira firme o rumo da política nacional, acho inacreditável que pouca gente ainda se lembra da voz destemida dos seus representantes – Suplicy, Mercadante e Romeu Tuma. Nenhum dos três tem feito diferença na atual conjuntura. Ora omissos, em função da espera de um sinal de Lula, quando cobrados pelos seus eleitores ensaiam discursos desconectados da realidade e das expectativas da sociedade.

A convicção frouxa dos três senadores paulistas impõe que os partidos políticos, principalmente as seções estaduais do PSDB, DEM, PPS, PV e do próprio PMDB, priorizem estratégias para vencer as eleições com os seus candidatos para a renovação de dois terços do Senado em 2010. Um Estado que já teve Franco Montoro, Severo Gomes, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso e José Serra como seus representantes, não pode se apequenar ou se ver promíscuo.

Semana passada Mercadante bradava "sua independência da orientação política contra as suas legítimas convicções" e se apequenou porque depende de Lula para tentar a sua reeleição. E agora Suplicy, a pretexto de responder aos seus eleitores do seu silêncio sobre as cobranças de novas explicações de José Sarney, protagonizou espetáculo sonolento e inócuo para tentar manter a sua imagem de bom moço, "paladino da justiça". Isso não é sério e nos obriga refletir, inclusive, sobre a real necessidade de manter o Senado, sem um sistema Parlamentarista de governo.

Por fim, no que diz respeito às justificativas dos senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) para manter as suas posições e filiações partidárias como uma homenagem à memória de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela e tantos outros, que já não estão mais entre nós, revelo um sonho: venham logo para o PSDB!

Enviar a um Amigo Enviar a um Amigo