A opinião pública anda abalada com as crises no exercício da política. Não tenho dúvida que nunca antes na história do país foi tão necessária uma grandiosa renovação no Congresso Nacional. Por isso reflito mais sobre a possibilidade de disputar as eleições no ano que vem e obter os votos necessários para deputado federal e iniciar um processo educativo e cidadão. Hoje há uma preocupação dos governantes com a Responsabilidade Fiscal e a boa gestão é uma bandeira nas campanhas eleitorais. Esse novo sentido já configura um avanço. O resgate de princípios e valores éticos e morais, no mar de lama em que a grande maioria dos políticos se afoga, é uma obrigação essencial na biografia dos próximos pretendentes. Não há mais espaço para decepção com a política e os políticos.

O cientista político e professor de Sociologia e Política do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Carlos Melo, protagoniza uma entrevista no caderno "Aliás" do jornal O Estado de São Paulo deste domingo e reforça a tese de que uma solução passa obrigatoriamente pela renovação dos personagens. Mas como renovar, se o processo eleitoral no Brasil está enraizado em velhos expedientes, que privilegiam políticos que se utilizam de campanhas milionárias, da relação com os apadrinhados que ele emprega e da mentira ?

Nesse cenário é muito difícil renovar. Uma maioria expressiva dos nossos representantes no Congresso Nacional, nas Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais deve concordar pública ou privadamente com aquele deputado que disse estar se lixando para a opinião pública. Na campanha eleitoral, com a eficiência dos mecanismos que o candidato dispuser, infelizmente os maus exemplos são ignorados na hora do voto e reconduzidos indefinidamente, sem uma reação afirmativa de oposição às tranqueiras que teóricamente nos representam.

O professor Carlos Melo reflete que se trata de uma relação que não passa pela cidadania, mas pelo interesse pessoal: "o resultado é que, diante de tanta mesmice, parte da sociedade prefere se retirar a participar. Começa a achar que política é coisa para malandro. Não é. Mas, quando se acredita nisso, a malandragem agradece".

Durante a última sessão do Senado, na semana passada, quando se verificou o bate-boca entre senadores de renome nacional, sem qualquer preocupação com o resgate da política, o fosso entre os políticos e a sociedade brasileira ficou ainda mais largo. Não há uma opinião divergente, nas ruas ou em qualquer outro lugar, sobre o respeito e a seriedade dos parlamentares. Carlos Melo comentou que ouve muitas pessoas indignadas dizendo: "Que exemplo vou dar para o meu filho se esses políticos fazem isso e aquilo ? Eu respondo: ‘Esqueça os políticos. O exemplo para o seu filho é você’. A mudança deve começar pelo indivíduo e por seus valores".

O senador Jarbas Vasconcelos destaca que a mudança nas práticas atuais do Congresso Nacional não acontecerá apenas com a aprovação de uma nova legislação política e eleitoral. Concordo com ele também quando diz que "é fundamental outra reforma, esta de ordem moral, de conteúdo ético. E ela começa pela Educação. As mudanças na educação e na política têm algo em comum: levam décadas para se consolidar. Mas elas precisam começar em algum momento".

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