Os últimos acontecimentos, desde a crise política no Senado, com José Sarney no centro das atenções, impressionam pelo grau do seu poder e de suas ramificações na vida pública nacional. Há um clima de chantagem permanente no ar, que contaminou logo no início o próprio presidente Lula, defensor da tese que o senador do Amapá não é uma pessoa comum e que desrespeitá-lo significaria enfraquecer a instituição Senado. Em seguida deu um cala-boca no PT, por ensaiar um pedido de licença; criticou o PSDB, dizendo que o partido queria usurpar o seu lugar na presidência; destacou a biografia dos seus aliados, apesar das denúncias sempre comprovadas e, agora, diz que essa crise não é um problema seu.

Na semana passada, o PSDB representou contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado; Renan Calheiros ameaçou o líder tucano Arthur Virgílio de retaliações éticas e o jornal "O Estado de São Paulo" foi notificado pela justiça, que está proibido de noticiar a investigação da Polícia Federal contra Fernando Sarney, um dos filhos da crise. Até agora não lí uma manifestação de lulopetistas contra esse ato de censura, que nos remete à época da ditadura no Brasil, quando Sarney pertencia a Arena, que apoiava o regime de exceção, bem antes da parte de sua biografia como o primeiro presidente da redemocratização do Brasil.

O PSDB, no seu manifesto de fundação, destaca que um dos motivos do afastamento político do governo Sarney, em 1988, foi a decisão política dele ao optar entrar para a história como o último governo da República Velha, ao invés de ser o primeiro da chamada Nova República. Portanto, a volta da censura aos veículos de imprensa, sob as barbas do governo democrático de Lula, é um acinte histórico. Pode parecer uma ação isolada contra um jornal, que tem franqueado todos os passos da crise aos seus leitores, mas essa atitude ofende os cidadãos brasileiros que não compreendem um Estado Democrático sem uma imprensa livre.

Antes do recesso parlamentar, a Câmara dos Deputados aprovou as novas regras para as próximas eleições, com limitações para o uso da internet nas campanhas políticas. O Senado ainda não se posicionou sobre o tema e, pelo andar da história, não me surpreenderá se os avanços conquistados pela militância virtual sofrerem emendas reacionárias. Por isso, pela liberdade de expressão e por uma retomada do comportamento ético no Congresso Nacional, FORA SARNEY !

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