Definitivamente o presidente Lula superou todos os índices de demagogia vistos na história do Brasil. Do ponto de vista político-eleitoral, com feeling próprio e sustentado em pesquisas de opinião pública, ele toca no coração do povo ao defender a entrega de mais dinheiro para os pobres e impostos altos para quem produz e gera empregos. Na cabeça geral, ao ouvir do presidente sobre a sua preocupação com o aumento de comida em suas casas, razão que aprova os efeitos do Bolsa Família, cada vez mais generalizado de beneficiados, chega a ser surpreendente a reação tímida do empresariado e da classe política. Aliás, o quê esperar de uma classe política anestesiada por tantos escândalos no Congresso Nacional, que o próprio Lula diz que não vai dar em nada ?

Os governos petistas posam sempre de bons moços e de salvadores da Pátria. Se não houvesse um governo como o de Fernando Henrique Cardoso, que estruturasse o país, para gerar oportunidades para as pessoas e até para governantes demagogos, quem sabe hoje estaríamos emanharados, com um modelo de Estado de mordomias e condenado ao atraso. Mas Lula, com as suas análises retóricas simplistas, sintonizadas com a ignorância, não governa com foco na emancipação popular, na perspectiva de uma transição das políticas compensatórias de renda para a oportunidade de saber pescar e saciar a fome com o fruto do próprio trabalho. Assim haveria dignidade e menos dependência de políticos oportunistas e aproveitadores. Sua opção é pela formação de currais eleitorais, integrados por uma legião de domesticados e sem iniciativa.

Lula se equilibra em dois modelos de governança. Um que ele revela não saber além do que foi deixado pronto por FHC. O governo gestor, que anuncia investimentos e consegue realizar o que está planejado, como o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, que é uma reedição do Avança Brasil do PSDB. Os lulopetistas interromperam as ações que estavam previstas e em execução no modelo anterior e agora patina nos baixos índices do PAC. Nesse quesito ele apenas consagra a publicidade governamental para alavancar palanques eleitorais desde que assumiu o rumo do Brasil em 2003.

Mas ele se dá bem no seu modelo de Estado, que é realmente insuficiente de ser mantido como uma carga tributária mínima. Lula e os petistas justificam que a arrecadação de impostos precisa ser alta para garantir a realização de políticas sociais. No entanto, esse Estado lulopetista, consome a maior parte dos recursos em gastos correntes – como o pagamento de milhares de cargos de confiança, mais de uma dezena de ministérios, cartões corporativos, descontrole de gastos, desperdício de dinheiro público etc -, restando pouco para ser investido nas classes sociais que ele seduz.

Há que se reduzir os impostos para estimular os investimentos privados, que geram emprego e renda. Um governo sem direção demagógica consegue ampliar a rede de proteção social – hoje liderada pela Bolsa Família, que teve origem na Bolsa Escola de FHC -, melhorando a qualidade da educação e da saúde para todos. Um governo com foco na sociedade acelera de verdade os investimentos em saneamento básico, como o governador José Serra faz em São Paulo, onde triplicou os recursos de obras para a Sabesp, e em educação para o trabalho, crescendo em milhares os números de vagas nas escolas técnicas estaduais mantidas pelo Centro Paula Souza.

A equação não pode ser vista sempre com os objetivos eleitorais. Mas é consensual pensar no futuro, mantendo a estabilidade da economia, agilizando os investimentos em infra-estrutura – escolas, hospitais, moradias, estradas, portos e aeroportos, emancipando a população pobre com a garantia de renda mínima e a oportunidade de emprego e cidadania plena. Não se ajuda os pobres com mais impostos. Fica bonito assumir perante a opinião pública o jeitão de governança Robin Hood, que "tira dos ricos para dar aos pobres", da mesma forma que impedem, por exemplo, os trabalhos da CPI da Petrobrás. Neste caso, em particular, um governo comprometido com uma Nação inteira, garantiria a transparência na empresa, reduzindo a hemorragia de desperdício de dinheiro em gastos desnecessários e absurdos, para diminuir efetivamente o preço da gasolina. Isso é autosuficiência, o resto, demagogia, incompetência !

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