O jornal ‘O Estado de São Paulo’ descreveu o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), como um ser "egocêntrico e desprovido de senso de medida", no editorial intitulado ‘Um estorvo para o meio ambiente’ (4/6/2009). Quando ele foi convidado para substituir a senadora Marina Silva, que  formava uma linha dura contra as obras do PAC – dependentes de autorizações ambientais e os desmatamentos na Amazônia por pecuaristas, Minc assumiu com a fama de gestor eficiente e mais produtivo. No entanto, com o seu jeito espalhafatoso de ser, que não mede palavras para aparecer na mídia e atacar ruralistas e colegas do ministério lulopetista, como Marina fazia discretamente, ele se exibe de tal forma que está virando motivo de chacota em todas as esquinas. Justamente quando precisaria de mais respaldo para combater os desmatamentos e garantir o apoio do Congresso Nacional para mudar a lei de licenciamentos ambientais.

Quando o ‘Estadão’ fala em estorvo, o faz porque Minc é uma pedra no sapato dos empreendedores ou porque ele não consegue manter um diálogo em bom nível com todos os atores envolvidos nas questões da sua responsabilidade ? O Brasil registrou mudanças profundas na legislação ambiental, a partir da promulgação da Constituição de 1988. Nos últimos tempos há consenso em atualizar o Código Florestal, em vigência desde 1965, adaptando-o às novas diretrizes ambientais no país. Mas o PT, estratégicamente, propôs projeto de lei para flexibilizar essa legislação, organizando um discurso apropriado sobre a questão ecológica para 2010. Será que é pra valer ou estamos diante de novos factóides ?

Fica difícil entender qual o verdadeiro perfil da defesa governista federal do meio ambiente. A senadora Marina Silva mantém o seu discurso vigilante no Congresso Nacional, apontando as divergências profundas entre o meio ambiente e a agricultura. Tanto Marina, quanto Minc enfrentam duramente os golpes de "setores econômicos e forças políticas que nunca assumiram compromissos com o desenvolvimento rural sustentável, com base na justiça social e na preservação ambiental". Outro dia o ministro Minc disse que "obedece ordens do presidente Lula; se é para fazer eu faço!" (tsk)

Espetáculos à parte, assino embaixo das opiniões de que não adianta mudar o ministro, porque o conflito é estrutural e mundial. FHC escreveu que "colocar a questão em termos de oposição entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental é mera cortina de fumaça, seja para continuar a desmatar sem cautela, seja para travar uma luta ‘pseudoprogressista’ contra a agricultura". Por isso é fundamental revisar o Código Florestal, para que ele fique mais próximo da realidade e atenda às necessidades do país.

A Capital paulista, por exemplo, acaba de dar um exemplo com a aprovação e sanção da lei municipal sobre as mudanças climáticas da Cidade, prevendo a redução de 30% das emissões dos gases que causam o efeito estufa até 2012 (desde 2005 até hoje, São Paulo já conseguiu reduzir 20% esse índice, com o início de funcionamento das usinas de biogás nos aterros São João e Bandeirantes e outros programas de saneamento ambiental, como a Inspeção Veicular, que será intensificada.

Alternativas e soluções para sobreviver melhor no futuro importam mais que a permanência de ministros. Diga-se, de passagem, sobram ministros no governo Lula, sem observar a importância da sua multifuncionalidade. O mesmo Lula que já afagou os "aloprados", não pode permitir que se proliferem as "algazarras". A hora das decisões é agora e esse tema precisa ser tratado com muita transparência e participação da sociedade. Não pode faltar governo na direção do meio ambiente sustentado ! Afinal, somos um país com leis !

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