Paulo Renato Souza, quando ministro da Educação no governo FHC, foi o responsável pela avaliação dos livros escolares e também pela chegada dos exemplares aos estudantes antes do início das aulas. Parecem atitudes óbvias, de tão essenciais, mas isso não acontecia no Brasil. Paulo Renato conduziu também inúmeras reformas na Educação, a partir da sua gestão no ministério. FHC chamava esse trabalho de "revolução silenciosa" e o seu ministro, que fora secretário do mesmo setor durante o governo Montoro, nos anos 80, retornou à pasta na equipe do governador José Serra. Curiosamente, há pouco mais de um mês na secretaria de Estado, pronto para realizar o seu plano de trabalho, decidido pelo desafio de melhorar a qualidade da Educação, pipocam notícias sobre falhas praticadas pelo governo estadual na escolha dos 818 títulos de livros didáticos, de 80 diferentes editoras, distribuídos para a rede estadual de ensino. Não tenho receio de afirmar que esse fato cheira a sabotagem.

Cerca de cinco títulos didáticos e paradidáticos apresentaram distorções de conteúdos, linguagem e exemplos para crianças e adolescentes. Outro dia lí uma "denúncia" de parlamentar do PT alegando que havia um livro ensinando a produzir uma arma letal e que isso era "um absurdo do descaso com a educação das nossas crianças". Comentaristas de plantão em todas as mídias acionaram as suas metralhadoras giratórias, tentando ofender a história de Paulo Renato e do próprio governador Serra, a pretexto de carimbar a falsa impressão do descompromisso estadual com a Educação.

Ora, é evidente que tudo não passa de um jogo político, logo agora que o governador paulista encarregou um dos setores mais importantes do seu governo a um ex-ministro, figura das mais experientes e comprometidas com a Educação. Antes de Paulo Renato, a professora Maria Helena Guimarães Castro já realizava um excelente trabalho e experimentava reações adversas ao seu choque de gestão, principalmente quando verbalizou que o grande impacto no setor foi percebido ao reconhecer alta e claramente que os professores não são suficientemente preparados para lecionar, nem quanto ao rumo e método, nem quanto ao conteúdo.

O desafio de Paulo Renato começou por aí, num território de violência e agressividade em algumas escolas, na análise furada de alguns membros de comissões de especialistas educacionais – responsáveis pela avaliação dos livros comprados desde a gestão de Maria Helena, nos primeiros passos do novo secretário para criar uma verdadeira escola das escolas, para formação de professores, diretores e funcionários.

Nos sites de busca de informações encontrei algumas opiniões preocupantes sobre a rede de escolas estaduais paulistas: "Ela constitui um todo caótico onde, geralmente, alunos não estudam ou não conseguem estudar, professores não ensinam ou não conseguem ensinar, coordenadores não coordenam, diretores não dirigem, supervisores não supervisionam, dirigentes não gerem e não concebem".

Por isso sobra a impressão que a sabotagem da secretaria foi dirigida à opinião pública, para desmoralizar. Quem poderia acreditar que uma instituição como a Fundação Vanzoline, com curriculum renomado e inúmeros trabalhos de repercussão nacional e internacional, imprimiria um livro com a duplicação do Paraguai ? Quem ousa acreditar que Paulo Renato ou o próprio governador Serra fariam vistas grossas para o desleixo com os conteúdos dos livros distribuídos aos escolares de todo o Estado de São Paulo ?

Não é o caso de justificar um erro com a comparação pura e simples dos erros dos outros. Se os tucanos pagam um elevado preço pelos cinco títulos que estão longe das salas de aulas e das bibliotecas das escolas, desde a primeira informação sobre o acontecido, o quê dizer da denúncia divulgada pelo jornal "Agora" sobre a distribuição recente, pelo MEC, do livro "Um Contrato com Deus", contendo cenas de violência, sexo explícito, estupro e até pedofilia.

E sobre as críticas do presidente Lula, em mais um de seus discursos de improviso, à política de educação do governo de São Paulo: "nunca mais o mapa do Brasil vai ter dois paraguais" (sic). Sem comentários de minha parte. Por outro lado, é evidente que houve um erro na secretaria e é sabido que há uma sindicância para apurar o caso e punir os responsáveis. Confio na capacidade e na experiência do secretário Paulo Renato e na obstinação do governador Serra, para responder também ao anseio da sociedade, que tudo faria pela melhoria da qualidade da educação e da formação de todos os brasileiros, com a urgência que lhe é devida !

Monteiro Lobato deixou uma frase antológica: "Um país se faz com homens e livros". Para a reflexão dos prezados leitores faço a seguinte adaptação: Uma Nação se faz com homens, livros, professores e educação !

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