Depois de ser chamado de "o cara" pelo presidente Barack Obama e de continuar surfando nos elevados índices de popularidade, Lula apenas sorri quando ouve deputados da sua base defendendo um terceiro mandato. Com Hugo Cháves foi assim. A Venezuela aprovou em plebiscito reeleições ilimitadas. No início da semana, o senado colombiano aprovou a convocação de um referendo para reformar a Constituição e permitir a eleição de Álvaro Uribe para um terceiro mandato. Enquanto ninguém pauta a discussão de um novo projeto de governo para o Brasil, o Congresso Nacional se encarrega de arquivar idéias para uma aguardadíssima Reforma Política e logo, logo, deve abrir um debate sobre um quarto mandato, aceitando de uma vez o modelo "chavista" por aqui.

Sexta-feira passada circulou uma notícia sobre a contratação de uma pesquisa, pelo PSDB, partido mais cotado para a sucessão presidencial, sobre as expectativas da população e os efeitos de um terceiro mandato para Lula. Conforme o jornal Folha de São Paulo, o levantamento, com mil entrevistados, está sendo realizado pelo Instituto Análise e deverá ser apresentado à Executiva Nacional do partido no mês que vem.

O Plano B do PT pode ser Lula de novo ? "Este assunto voltou à baila com a doença da Dilma. Tem gente séria preocupada com essa possibilidade", diz o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, presidente do Instituto Teotônio Vilela. "Há 80 mil petistas na máquina pública. Eles não querem sair de lá e não pensam que terceiro mandato é uma maluquice." (Painel da Folha)

Ora, todo mundo sabe que a perpetuação de uma liderança é ruím, num país em que há muitos quadros políticos e gerenciais excelentes, inclusive despontando na preferência do eleitorado, como é o caso do governador José Serra que nesta semana mantinha em consulta contratada pelo PT ao Instituto Vox Populi, índices variáveis de 36 a 43%. Ao mesmo tempo, a falta de consenso nas reuniões entre os parlamentares em Brasília, para possíveis remendos na legislação eleitoral, revelam que a maioria parece aguardar um sinal do próprio Lula sobre o que ele realmente deseja.

Mas já pululam nas manchetes de todas as mídias, especulações sobre um referendo com o povo brasileiro ou uma prorrogação de mandatos para coincidir com as eleições municipais de 2012. Sem falar na contradição dos defensores das chamadas listas partidárias fechadas e agora da janela de infidelidade partidária, reduzindo de um ano para seis meses o tempo de filiação para disputar qualquer eleição.

Enfim, falta o maior engajamento da sociedade nesse debate nacional. Não se ouve um pio da OAB, ABI, UNE, centrais sindicais etc. Será que há unanimidade em torno da aprovação do governo Lula ? Será que não há ninguém melhor que ele ou que o seu jeito de governar para se viabilizar como uma alternativa para o país ? Agora, se estas perguntas forem difíceis de responder e ele conseguir, no voto popular, o terceiro mandato, o quê afastará a hipótese de um quarto ?

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