O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) sempre foi uma figura admirável, mas ele não é o herói da vez. Depois da sua entrevista bombástica para as páginas amarelas da revista "Veja" houve quem se mostrasse surpreso com a sua coragem de avaliar os seus próprios companheiros de partido e de desnudar um pouco mais o jeito de fazer política no Congresso Nacional. Ressalve-se que o senador Jarbas em nada se compara com o último "herói", o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). A um ano das eleições quase gerais no Brasil, Jarbas verbaliza o quê muitos cidadãos indignados engolem seco. Suas denúncias representam uma travessia entre o basta e a vontade de olhar nos olhos dos seus concidadãos sem nenhum constrangimento.

Mas é natural que surjam dúvidas sobre o comportamento de parcela importante de políticos, principalmente em relação à vergonha na cara. Não é assim o roteiro das conversas de corredor e dos finais de semana, quando entre um copo e outro de cerveja muitos castelos são desmanchados pela decepção ? O senador Jarbas Vasconcelos disse em outras palavras que a corrupção é a melhor amiga dos seus colegas senadores, deputados e ocupantes de cargos ou funções públicas. Generalizou críticas num momento pós-eleitoral para dirigentes das casas parlamentares em Brasília.

Acho que as suas críticas teriam mais consequência, se também apresentassem soluções pontuais que o cidadão comum não consegue imaginar possíveis. Se o descrédito estava instalado no Congresso, que quase não se manifesta sobre alternativas de enfrentamento dos efeitos da crise econômica mundial, o senador Jarbas Vasconcelos contribuiu muito para deixar claro que muito pouco deve se esperar dos atuais deputados e senadores. Imaginem ainda um cidadão vendo e ouvindo o ex-presidente Fernando Collor, agora à noite, eleito para presidir uma das comissões parlamentares mais importantes, a de Infraestrutura em tempos de PAC’s !?

Nos anos de 2005 e 2006 tivemos uma enxurrada de denúncias por causa do esquema do mensalão do governo. A percepção foi quase a mesma para uma parte dos analistas e políticos: certamente haveria uma renovação histórica entre os representantes dos partidos envolvidos no Congresso. Nada aconteceu ou frustrou o eleitorado cidadão, que daqui a pouco será transformado em bode espiatório, recaindo sobre si a responsabilidade pelo voto sem refletir sobre esses acontecimentos e conceitos públicos.

Por fim, registro a minha crença no senador Jarbas Vasconcelos. Não posso esquecer a sua obstinação em resgatar os valores morais e éticos na política. Parece contraditório, mas já vivenciei uma tomada de posição contrária aos rumos do PMDB à época da Assembléia Nacional Constituinte, nos anos de 1987 e 88. Em busca de uma legenda que respondesse claramente sobre a importância desses valores e que se apresentasse como uma alternativa para o país, ajudei a fundar o PSDB.

O fato admirável, apenas para citar um exemplo dos protagonistas da repercussão das falas de Jarbas à imprensa e ao Congresso, é que o senador pernambucano, juntamente com Pedro Simon (PMDB-RS) permaneceram no partido, que é o maior do Brasil, justamente para resgatá-lo e conduzí-lo a um melhor destino. Quem sabe no desenho de uma Reforma Política de verdade, o verbo vire realidade !?

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