A idéia de promover "prévias" para a escolha do candidato do PSDB para a presidência da República é interessante, mas acho inoportuno que isso aconteça na contramão das pesquisas pré-eleitorais que dão ampla vantagem ao governador José Serra. A meu ver o PSDB deveria definir esse modelo mais democrático para as disputas posteriores a 2010, não só para presidentes da República, mas para governadores e prefeitos, quando houver mais de um pretendente.

Com um sistema organizado e suas regras claras para todos os filiados e simpatizantes, aposto que não estaríamos longe de uma transição normal das "prévias" para as "primárias", ao estilo da democracia americana, que sem dúvida contribuiram para o maior conhecimento da figura e das idéias de Barack Obama. Afinal, uma potencial disputa hoje entre Serra e o governador Aécio Neves, no meio do recadastramento de filiados que o PSDB promove em alguns lugares e com regras afobadas, a hipótese de divisão não ficará afastada. Dispersar agora, nem nos pensamentos !

O PSDB pode oferecer essa contribuição ao aperfeiçoamento da democracia brasileira. Ninguém, com um histórico de militância política e partidária, vai se posicionar contra uma consulta às bases, o suprasumo da valorização da democracia interna, que traz mais benefícios para o partido, graças ao espaço conquistado na mídia, a mobilização de filiados e a oxigenação partidária. Até hoje foram mambembes as experiências de escolha assim no Brasil. O PT, por exemplo, promoveu "prévias" em 2002, quando o senador Eduardo Suplicy insistia disputar internamente contra Lula, apesar da sua inferioridade nas pesquisas populares. Lula venceu dentro e fora do partido, conquistando o seu primeiro mandato.

Por outro lado, daríamos uma volta no controle partidário por cúpulas desalinhadas com a história e os antecedentes políticos, com a conjuntura política, com um projeto para a maioria da população e com a vontade das bases. Longe também de nos contaminar com lideranças partidárias que se forjam e se impõem à base de filiações em caixas de sapatos ou de laranjas. O terreno atual está minado. Hoje é impossível realizar "prévias" antes de se clarear o horizonte de mudanças e de se esgotar necessárias rodadas de entendimento sobre o destino do Brasil que está em jogo.

Fora esses dados de consumo interno do PSDB, que sem dúvida provocará logo convergências, principalmente pela capacidade de costura dos seus líderes e de todos aqueles que estão apostando num novo projeto para o país (projeto que aliás precisa ser logo exposto), é essencial que, paralelamente, os partidos se mobilizem para tornar livre o uso da Internet na vida partidária e nas eleições brasileiras, porque hoje é o instrumento mais democrático para a comunicação entre candidato e eleitor, da mesma forma que serve para atrair os eleitores mais jovens para a política, além de permitir que eleitores e partidários interajam mais mesmo que via cibernética.

Enfim, há muito a fazer antes das prévias no PSDB. Digo sem hesitação que há um longo caminho até elas. No entanto, se estes argumentos não forem suficientes, pelo entendimento, pela unidade e para a vitória em 2010, abro já o meu voto: Serra Presidente, Aécio Vice !

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