O fogo amigo no PSDB está ganhando proporções preocupantes outra vez. O partido, virtualmente vencedor nos cenários para 2010, encerra a semana nos espaços de mídia dedicados à intriga e à inabilidade políticas. Militantes, simpatizantes e o eleitorado do tucanato ficam perplexos com as sucessivas "crises" na legenda. Quem se delicia com esse novo momento são os analistas de plantão que, graças às plantações de notícias pelos próprios companheiros, preenchem os seus espaços de informação expondo egos e vaidades em desfile fashion. Vou chover no molhado reescrevendo que isso é ruím e que os principais líderes políticos deveriam realinhar comportamentos e vozes.

Na juventude estava acostumado ao centralismo democrático, indispensável na democracia interna dos partidos, para encaminhar as decisões de consenso, quer de pensamento, quer de ações. Esse sistema definia a necessidade de qualquer discussão programática, antes de ser resolvida, passar por debates pelas bases dos partidos. Parece utopia nas estruturas partidárias brasileiras? Não, justamente porque Ulysses Guimarães nos ensinava que antes de iniciar uma reunião política o desenho do consenso estava pronto e contemplava inclusive os pontos de discordância. Sabiamente ele encontrou uma solução tupiniquim para a organização dos partidos marxistas-leninistas, minimizando a exposição das rachaduras em evidência em quase todas as legendas partidárias: mais diálogo antes, mais entendimento.

Hoje temos ajudas científicas, além de uma capacidade maior de mobilizar forças para a construção de consensos. Pesquisas, indicadores, Internet, comunicação globalizada estão disponíveis para todos. Pena que ainda sobrem egos e vaidades, para sublinhar, ou sublimar (acho até mais adequado), os resultados que o país tem esperança de concretizar. Lula deve rir dessa situação, enquanto surfa em índices recordes de popularidade e aprovação de seu governo. Ele não tem oposição até porque as energias dela estão concentradas nas disputas internas, negligenciando o alvo principal. Isso pode consolidar cada vez mais a sua posição, para o quê quiser.

Então, sem entrar no mérito dos interesses em jogo, porque resultaria em um post  mais nessa maré de intrigas, acho que ainda há tempo para emplacar mudanças de comportamento e discursos, como os de Aécio Neves – que insiste não reconhecer as chances reais de José Serra se eleger presidente da República em 2010 – e da "bancada paralela" na Câmara dos Deputados, que se recusa a aceitar a "reliderança" de José Aníbal. Sei que é difícil uma equação dessa natureza, justamente porque a cultura basista no PSDB é relembrada apenas nos momentos em que o nome próprio ou o projeto pessoal de um pretendente não consegue o consenso.

Assim não vale!

"Paz e Bem", ò PSDB !!!

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